Compartilhar atividades simples com outras pessoas pode aumentar significativamente a sensação de felicidade. Pesquisas mostram que caminhar, correr, fazer compras ou até realizar tarefas cotidianas se tornam experiências mais agradáveis quando vividas em companhia.
A relação entre convivência e felicidade
Muitos estudos já associaram socialização à felicidade; no entanto, dois psicólogos: Elizabeth Dunn e Dunigan Folk, quiseram ir mais a fundo e entender se as pessoas acham mais agradável estar acompanhadas em afazeres corriqueiros – como abastecer o carro, correr, cuidar de pets ou fazer compras no supermercado. Para isso, a dupla utilizou os dados da American Time Use Survey (Pesquisa Americana de Uso do Tempo), realizada pelo Censo dos Estados Unidos.
Os pesquisadores incluíram mais de 80 tipos diferentes de atividades e, para garantir mais precisão nos resultados, excluíram tarefas que dependiam de interação, por exemplo: “cuidar de membros da família” ou “dar telefonemas”. Eles também coletaram dados em anos distintos: 2010, 2012, 2013 e 2021; para verificar a consistência dos resultados ao longo do tempo.
Até as tarefas mais simples ficam melhores quando compartilhadas
Os resultados mostraram que a companhia de outras pessoas pode influenciar positivamente a forma como percebemos atividades do cotidiano, inclusive aquelas consideradas rotineiras.
A conclusão desse amplo estudo os surpreendeu: até ler foi considerado mais agradável na companhia de alguém. Porém, é importante ressaltar que, o grau de satisfação ao realizar atividades acompanhado varia conforme a ocasião. Para os participantes, compartilhar uma refeição, fazer uma caminhada ou correr foram eleitas como as experiências mais prazerosas ao se fazer com outra pessoa.
Pequenos momentos podem gerar grandes benefícios
Os pesquisadores também chamam atenção para algo importante: a felicidade não depende apenas de grandes acontecimentos, mas pode ser construída a partir de experiências simples e frequentes.
Dunn e Folk não ignoraram o fato de que algumas tarefas são melhores quando feitas a sós, como estudar ou focar na entrega de um trabalho que exige concentração. O objetivo deles com esse estudo foi provocar a seguinte reflexão: com a correria diária, será que não estaríamos perdendo oportunidades de convívio e, com isso, de nos sentirmos mais felizes?
O professor de ciências comportamentais da Universidade de Chicago, Nicholas Epley, lançou este ano o livro A Little More Social: How Small Choices Create Unexpected Happiness, Health, and Connection (em tradução livre: Um Pouco Mais Social: Como Pequenas Escolhas Criam Felicidade, Saúde e Conexão Inesperadas). Com a obra, o autor buscou mostrar que mesmo pequenas interações sociais do dia a dia podem melhorar significativamente nosso bem-estar, então, sugeriu que cultivemos mais a convivência como hábito.
Epley, em entrevista para o portal da Universidade de Chicago, reconheceu que interações isoladas não fazem uma pessoa feliz, e sim o acúmulo delas. “Não se trata de buscar aqueles grandes momentos como escalar o Monte Everest. Não é a intensidade das experiências positivas que realmente prevê a felicidade na vida. É a frequência delas. Muitos pequenos momentos positivos espalhados ao longo do dia, que, de outra forma, não seriam tão bons”, afirmou.
Como cultivar mais conexões no dia a dia
Se a felicidade pode ser fortalecida por pequenas interações, vale a pena buscar oportunidades para incluir mais convivência na rotina.
Em artigo sobre a pesquisa para o portal Psychology Today, o professor da faculdade de medicina alemã MSH Medical School Hamburg, Sebastian Ocklenburg, propôs: “Da próxima vez que estiver em dúvida se deve ou não convidar um amigo para alguma atividade: faça isso! Você ficará mais feliz.”
Conclusão
As pesquisas reforçam uma ideia simples, mas poderosa: compartilhar experiências pode tornar o cotidiano mais agradável e significativo. Embora algumas atividades continuem sendo melhor aproveitadas individualmente, muitas das tarefas que realizamos todos os dias podem se transformar em oportunidades de conexão, convivência e bem-estar.
Em um contexto em que a solidão tem sido apontada como um dos desafios da vida moderna, cultivar relacionamentos e reservar tempo para estar com outras pessoas pode contribuir não apenas para a felicidade, mas também para uma vida mais saudável e equilibrada.