Pense nas suas amizades! Algumas começaram na escola, outras no ambiente de trabalho ou praticando esporte. Mas por que nos aproximamos e criamos amizades duradouras com algumas pessoas de um mesmo grupo e com outras não?
Em geral, vamos encontrando interesses em comum no decorrer da convivência, simpatizamos mais com a maneira de ser de uns. Mas pesquisadores de universidades americanas quiseram saber se primeiro descobrimos as afinidades para criarmos vínculos, ou se criamos vínculos porque nossos cérebros funcionam de forma semelhante.
Para encontrar a resposta, os cientistas monitoraram a atividade cerebral de 41 estudantes de pós-graduação nos primeiros dias de mestrado. Durante o exame, eles assistiram a 14 vídeos, com temas diversos, como ciência, alimentação, esporte e meio ambiente; e com abordagens diferentes, como documentários e comédias. Os vídeos foram escolhidos por serem capazes de ressaltar diferenças individuais, trazendo assuntos da vida real.
Foram analisadas 214 regiões cerebrais para identificar padrões de atividade semelhantes nessas áreas, enquanto os participantes assistiam ao mesmo conteúdo.
Depois de 8 meses, os estudantes que se tornaram amigos foram aqueles que haviam apresentado a maior similaridade neural antes do convívio no campus. Entre as áreas mais ativadas, está o córtex orbitofrontal esquerdo, relacionado ao valor que damos às coisas, ou seja, ao "nossos gostos"; assim como as regiões ligadas à compreensão de narrativas complexas e à atenção.
Esse estudo, publicado no portal científico Nature Human Behaviour, indica que, além das emoções, a forma como nós "lemos o mundo" e até para onde decidimos direcionar nossa atenção influem na formação de uma amizade mais duradoura.
Este é um estudo observacional, portanto, mais do que gerar certezas, aponta um caminho para entendermos como as amizades se formam.
O que a conclusão dessa pesquisa nos ensina é que talvez não escolhamos nossos amigos apenas com base nas emoções. É possível que, muito antes de uma boa conversa, o cérebro já emita sinais que levem a nos aproximar daqueles que terão maior probabilidade de conquistar o título de amigo em nossos corações.
Conecte-se com intenção
A ciência reforça: conexões verdadeiras começam muito antes das palavras. Observe quem desperta sintonia em você e valorize esses encontros. Pequenos gestos fortalecem grandes amizades — e uma vida mais longa e significativa.