Os sonhos sempre exerceram um grande fascínio para a humanidade.
Enquanto dormimos, mesmo inconscientes, nossa mente cria cenários, histórias fantásticas, situações amedrontadoras ou reproduzem cenas do nosso cotidiano – às vezes com os personagens habituais em papéis trocados. Nesses momentos, o tempo e o espaço obedecem a uma lógica diferente.
Segundo a professora de psicologia da Michigan State University, Kimberly Fenn, no artigo As Pessoas Sonham em Cores ou em Preto e Branco?, publicado pela revista científica The Conversation, os sonhos são experiências sensoriais completas. Além de podermos ter sonhos coloridos ou em P&B, há estudos comprovando que é possível ouvir, cheirar, saborear e até sentir coisas, enquanto sonhamos.
Os cientistas garantem que todo mundo sonha, mas o que ocorre é que muita gente não se lembra do que sonhou; e a maior parte do que sonhamos é esquecida. São raríssimos os casos de pessoas que comprovadamente não sonham, em geral, é um efeito de lesões cerebrais. No entanto, a razão pela qual sonhamos tem sido tema de estudos para cientistas do mundo todo.
Uma pesquisa pioneira da Harvard School, publicada há cerca de uma década, sugere que uma das funções dos sonhos é a consolidação de memórias. Uma das evidências levantadas pelos pesquisadores é que as pessoas tendem a aprimorar novas habilidades quando sonham com elas.
Em um dos experimentos deste estudo, foi pedido aos jovens para aprenderem um jogo de computador. Aqueles que relataram ter sonhado com o jogo na noite seguinte, aprimoraram mais suas habilidades no jogo do que os que disseram não ter sonhado com o desafio.
Para os autores da pesquisa, ao revivermos as experiências de quando estamos acordados durante o sonho, ajuda o cérebro a consolidar o aprendizado sobre aquela vivência. Porém, apenas uma parte do sonho colabora com a fixação da memória. Segundo eles, sonhar é uma experiência humana tão complexa que não podemos, pelo menos ainda, desvendá-la em sua totalidade, mas estamos avançando.
Recentemente, cientistas do Laboratório de Sono e Cognição da Universidade da Califórnia, em Irvine, nos Estados Unidos, identificaram mais uma função para o sonho. Eles realizaram uma experiência com 125 mulheres, com cerca de 30 anos. Às 19h30, mostraram a elas imagens neutras, como a de uma paisagem, e imagens que provocavam uma emoção mais forte, como a de um acidente de carro. Elas precisavam dar uma nota para cada uma de acordo com o desconforto emocional gerado.
No dia seguinte, ao serem testadas novamente, aquelas que relataram ter sonhado com as imagens consideradas negativas, tiveram uma reação emocional mais amena a figuras semelhantes, do que as mulheres que não haviam sonhado.
“Essa é a primeira evidência de que eles [sonhos] desempenham um papel ativo na transformação de nossas respostas a essas experiências [mais difíceis de lidar]”, disse uma das pesquisadoras do estudo, Sara Mednick, em entrevista para o site da Universidade.
Sidarta Ribeiro, biólogo e neurocientista brasileiro, acrescenta uma nova hipótese: para ele o sonho é um oráculo probabilístico, mas não tem nada a ver com adivinhação. Em uma entrevista para a National Geographic Brasil, ele explica que “o sonho é uma tentativa de simular o amanhã com base no ontem”. Ou seja, uma recombinação do que vivemos que abre espaço para surgirem novas ideias e para sermos mais criativos.
Investigar o universo fascinante dos sonhos abre muitos caminhos para que possamos entender melhor o funcionamento do cérebro e descobrir novas maneiras de mantê-lo saudável.
Comece agora: cuide do seu sono e do seu bem estar
Prestar atenção aos sonhos pode ser uma forma de entender melhor emoções, memórias e até desenvolver mais criatividade. Que tal observar como você dorme e sonha nos próximos dias? Priorizar o sono é também cuidar do corpo e da mente — e da sua longevidade.