Fone de ouvido faz mal? Saiba como usá-lo sem prejudicar a audição

Confira algumas dicas úteis para continuar usando fones de ouvido sem exagerar no volume e no tempo de uso, e evitar possíveis perdas auditivas.

Fone de ouvido faz mal? Saiba como usá-lo sem prejudicar a audição

Abusar dos fones de ouvido ao ouvir música ou ver vídeos pode prejudicar seriamente a nossa audição. Usá-los por muito tempo e em alto volume estressa as células da orelha e pode levar, progressivamente, a perdas auditivas que são irreversíveis. “Quando há exposição diária a sons de alta intensidade, essas células vão sendo destruídas”, aponta a fonoaudióloga Maria da Glória Canto de Sousa, presidente da Comissão de Audiologia do Conselho Federal de Fonoaudiologia.

O problema é grave: em todo o mundo, 1,1 bilhão de pessoas que têm até 35 anos correm risco de perder audição devido ao mau uso de aparelhos de som portáteis e smartphones e à exposição a ruídos intensos em festas, casas noturnas e eventos esportivos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). “A população jovem está tendo cada vez mais perdas auditivas, que podem estar sendo causadas pela exposição a sons em intensidade elevada”, diz Maria da Glória.

As perdas auditivas, que começam a ser percebidas quando não conseguimos mais distinguir direito os sons e compreender claramente as palavras, são irreversíveis. E podem comprometer – e muito – nossa qualidade de vida.

Além de prejudicar a apreciação de músicas, quem perde a audição tende a se afastar do convívio social por não entender as conversas e pelo constrangimento de ter que pedir às pessoas o tempo todo que repitam o que estão dizendo. “A audição é essencial para a qualidade de vida, não só por ser um mecanismo de defesa, mas por seu papel na socialização e na aquisição de memória”, explica a fonoaudióloga Márli Borborema, presidente do departamento de gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-RJ).

Para evitar esses problemas, que tal começar pelos fones de ouvido? Eles não precisam ser banidos; podem ser usados de maneira mais consciente, limitando o volume e o tempo de uso e escolhendo modelos adequados, apontam as duas especialistas consultadas para essa matéria. Elas dão cinco dicas para usar os fones com segurança e ensinam a regular o volume para não passar dos limites – confira a seguir.

Limite o volume

Quando usamos fones, o ideal é manter o som a um nível confortável, que chegue, no máximo, a quase metade da intensidade máxima de volume do aparelho. Alguns aplicativos também podem ajudar a limitar o volume, diz Maria da Glória. "Se alguém que está a um metro de você está ouvindo o seu som, é sinal de que ele realmente está alto demais", diz.

De olho no tempo

Para não prejudicar a audição, o ideal é limitar o tempo em que nos submetemos a atividades muito barulhentas. Por isso, o ideal é usar fones de ouvido no máximo uma hora por dia, segundo a OMS.

Cuidado com o intra-auricular

O modelo que entra direto no canal auditivo transmite a intensidade do som diretamente na parte interna da orelha, sem proteção. Por isso é bom reduzir o volume e dar um descanso às orelhas. “Não faz bem usar esse tipo de fone por muitas horas seguidas. O descanso é sempre bom para os dutos auditivos respirarem”, explica Maria da Glória.

Invista no bloqueador

O problema de usar fones de ouvido em locais barulhentos, como no ônibus, é que acabamos aumentando o volume em excesso. Comprar um fone com bloqueador de ruídos externos, portanto, é uma boa pedida para quem não abre mão de ouvir música e ver vídeos em locais barulhentos. Ao neutralizar a poluição sonora externa, eles permitem reduzir significativamente o volume do som do aparelho.

Dê um tempo

As células auditivas são estressadas – e até danificadas – quando são expostas a níveis elevados de som. Na sequência, elas precisam de tempo para se recuperar dessa fadiga. Por isso, quando você escutar som alto, acima do limite de conforto, usando fones de ouvido, o ideal é dar um intervalo de uma hora a uma hora e meia antes de voltar a usar os fones de ouvido, recomenda a fonoaudióloga Márli Borborema.

Acerte seus fones

A unidade de medida decibel (dB) é usada para medir a intensidade do som, chamado de “volume”.

A metade é o limite

Na maioria dos aparelhos de som, o volume máximo varia de 75 a 105dB, mas alguns podem chegar a 135dB. Para não ter perdas auditivas, o ideal é limitar o volume à metade.

0 a 50 dB, Confortável

A faixa mais confortável para quem não tem problemas auditivos é essa, que corresponde ao som de uma conversa (50dB). Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não define um tempo limite de exposição a esses sons.

50 a 80 dB, Atenção

A partir de 70dB (o som de uma máquina de lavar roupas, por exemplo), é preciso dar um intervalo entre 1h e 2h depois de um tempo com os fones. Para quem ouve um som nessa intensidade todos os dias, a reposição da audição vai demorar mais para acontecer.

80 a 110 dB, Nível de risco

A partir de 80 dB, já existem limitações quanto ao tempo em que podemos ser expostos a algum som – com 7 minutos, já há desconforto. O barulho de um secador de cabelos (até 100dB) só deve ser suportado por 15 minutos. Quanto alto é o som que você escuta?

Acima de 115 dB, Dor

Sons de altíssima intensidade causam dores e traumas nas orelhas. Por isso, o tempo de exposição a esses sons deve ser limitado e controlado. O ruído de uma festa em casa noturna (115dB), por exemplo, só deve ser suportado por 28 segundos, segundo a OMS.

  • 50% das pessoas com até 35 anos ouvem música e sons em níveis perigosos em aparelhos como smartphones e MP3 players.
  • 1 a 2 dias é o tempo que as orelhas levam para se recuperar da exposição a ruídos intensos.
  • 1,1 bilhão de jovens, em todo o mundo, correm o risco de ter perdas auditivas por ouvir sons em volumes perigosos.

Fonte: OMS – Organização Mundial da Saúde, Glória Canto e Márli Borborema

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