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O que é efeito sanfona?

E como ele afeta sua saúde mental

Efeito sanfona

Talvez você conheça alguém que estava infeliz com o próprio corpo, decidiu se jogar de cabeça em uma dieta milagrosa e emagreceu até 10, 15, 20 quilos. Provavelmente chegaram elogios à nova forma física. Alguns meses depois, tudo voltou ao que era. E antes de qualquer comentário sobre o ganho de peso, a pessoa já engata outra dieta.

 

Casos como esse acontecem aos montes, mas foi só em 1994 que a situação ganhou status clínico. O pesquisador da Universidade de Standford, Kelly Brownell, descobriu o padrão ao comparar 69 estudos que, somados, analisavam quase 50 mil pacientes. Havia sempre um grupo que retomava o peso que perdia, logo antes de perder novamente. Brownell batizou o fenômeno de “weight cycling” (algo como peso cíclico). Aqui no Brasil, o termo ganhou uma tradução tropical: efeito sanfona. O fenômeno causa problemas sérios no corpo de quem engorda-e-emagrece-muito-rápido, e efeitos talvez ainda mais sérios no psicológico dessas pessoas.

 

Efeito sanfona

Como foi que eu engordei de novo?

 

 

A culpa, geralmente, é daquela dieta maluca feita sem o acompanhamento de um nutricionista, porque ela confunde completamente o cérebro. O sistema nervoso nota que a quantidade de alimentos consumidos diminuiu drasticamente de uma hora para outra, então ele "aperta o botão vermelho"- o instinto de sobrevivência é ativado.

Na prática, seu corpo se comporta como se você estivesse em um lugar sem acesso a comida, sem rumo em uma floresta, ou preso em uma caverna. Nesses casos, como não há perspectiva de se alimentar nas próximas horas, o metabolismo desacelera.

Ao mesmo tempo em que transforma a gordura do corpo em energia para se manter vivo, seu organismo entende que na próxima vez em que você consumir algo, é importante transformar boa parte daquilo em gordura também. Você treina seu corpo a estocar energia (leia-se gordura), já que ele não sabe quando terá outra refeição.

 

A lógica até que "funciona" a curto prazo. Você queima um estoque inicial de gordura. Nem mesmo o processo de estocagem do corpo dá conta de te manter com um peso que ele considera normal. Rapidinho você perde aqueles quilinhos que desejava. Mas seu cérebro não sai tão rápido do modo alerta. Assim que sair da dieta restritiva, seu corpo vai continuar estocando gordura como se não houvesse amanhã. Em pouco tempo, os quilos voltam e o seu cérebro desliga o alerta. A continuação dessa história, você já sabe: lá vem a próxima dieta recomeçando o ciclo outra vez.

 

Isso, vale ressaltar, é a situação mais comum – referente às dietas. Mas há também outros casos, como os puramente hormonais. Um desregulamento na tireoide, por exemplo, pode fazer seu peso mudar drasticamente em um piscar de olhos. Daí a importância de estar sempre com os exames em dia. Consultar um endocrinologista, em caso de aumento ou perda de peso, é importantíssimo.

E como isso afeta minha saúde mental?

 

 

A inconsistência na balança ataca diretamente o psicológico de quem está em cima dela. Há 25 anos, um estudo feito pela Universidade da Pensilvânia já tinha conseguido provar isso. De acordo com a pesquisa, a ação de emagrecer é intimamente ligada à sensação de êxtase. Ganhá-lo de volta, no entanto, traz raiva, frustração e vergonha. “Essa relação é a fórmula-base dos transtornos alimentares”, afirma Guilherme Conti Marcello, supervisor clínico da Universidade Anhanguera. “O peso não é só uma característica do nosso corpo. Muitas vezes, ele é parte fundamental de como a gente se percebe – e como se apresenta para o mundo”, completa.

 

É por esse motivo que o efeito sanfona é ligado à compulsão alimentar. “Pessoas com o transtorno usam a alimentação para compensar a angústia pela qual passam. É uma pessoa que precisa comer uma pizza inteira ou quatro barras de chocolate para ter uma válvula de escape”, conta. Aí já viu: se estressa porque engordou, come para aliviar, engorda mais, mais estresse.

 

"Pessoas com o transtorno usam a alimentação para compensar a angústia."

Guilherme Conti Marcello, supervisor clínico da Universidade Anhanguera

Efeito sanfona

O outro extremo também não é incomum. “Quem passa pelo efeito sanfona também tem mais chances de desenvolver bulimia ou anorexia”, explica Marcello. Nos dois casos, a privação de alimento é uma consequência direta. Na bulimia, o paciente tende a forçar vômito, numa tentativa de se livrar das últimas refeições. Na anorexia, quem está passando por seus efeitos perde as noções do próprio corpo: se sente mais gordo ou maior do que realmente está, mesmo quando já está magro. Mais uma vez, a válvula de sobrevivência do cérebro é ativada, podendo gerar outro efeito sanfona no futuro.

Além de tudo, outro transtorno psicológico também costuma aparecer. Não necessariamente associado ao corpo, a depressão também é comum entre pacientes com efeito sanfona. “A depressão aparece como um aviso mental de descontentamento consigo mesmo, com os outros e com o mundo. É comum que seja um discurso de desesperança. Então muitas vezes a depressão está muito associada a esses transtornos, às vezes até como a causa”, explica Marcello.

 

É por esse motivo que o acompanhamento médico e psicológico é algo imprescindível. “A maioria dos casos é tratável e com grande sucesso quando se mistura o acompanhamento psicológico com medicamentos controlados”, afirma Marcello. É muito importante se consultar, até porque sanfona não precisa ser sinônimo de sofrimento para ninguém.

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